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Transparência

 
 Entrada da exposição
 
  
  
 I. Um mundo em mudança
 
  
    
 II. Ressonâncias íntimas A) Paisagens

  
  
  
 II. Ressonâncias íntimas B) Mulheres

  
  
 II. Ressonâncias íntimas C) Retratos       

Vistas da exposição/ Exhibition views. Fotos/ Photos: Nina Szielasko

 
 
Exposição
TRANSPARÊNCIA -
Abel Salazar e o seu tempo, um olhar


Local
Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto
30 de Setembro a 27 de Novembro de 2010

Curadoria
Manuel Valente Alves

Arquitectura da exposição
Teresa Nunes da Ponte
Lígia Ferreira
André Guerreiro

Concepção gráfica
Nina Szielasko

Edição vídeo
Paulo Porfírio

Direcção de produção
Alexandra Araújo (Universidade do Porto)

Produção executiva
Alexandre Osório

Catalogação das peças de Abel Salazar
André Azevedo (Casa-Museu Abel Salazar)

Construção
José da Silva Araújo e Filhos, Lda.

Luminotecnia
Fernando Silva Gusmão
Rita Mier

Embalagem e transporte
Rangel Expresso SA

Seguros
Lusitânia Seguros
Reitoria da Universidade do Porto


"Tendo em conta a abrangência excepcional de Abel Salazar – médico, cientista, professor, pensador, pintor, escultor e, acima de tudo, cidadão exemplar, perseguido de forma deplorável pelo Estado Novo – esta exposição cruza outros objectivos do programa da CNCCR [Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República]: por um lado, a divulgação didáctica das grandes personalidades da sociedade portuguesa que professaram os ideais republicanos, por outro a valorização dos progressos realizados pela ciência, muito especialmente no âmbito das ciências médicas, domínio fundamental para a modernização do nosso País que, no início do século XX, continuava desprotegido perante a doença.
Embora se celebre a dimensão de Abel Salazar como extraordinário homem das ciências médicas, elege-se, como área de estudo e consagração, o pintor que, a par do rigor metodológico imposto pelo laboratório, compreendeu que a arte é outro meio, mais incerto e mais subtil, de procurar a nossa razão de ser. Foi assim que Abel Salazar praticou uma espécie de terapia para a alma que usa as emoções e um olhar fraterno sobre as gentes e as suas vidas. Embora a arte tenha sido uma constante na vida deste notável cidadão, pode considerar-se que o facto escandaloso de ter sido demitido como professor da Universidade do Porto e impedido de nela investigar e, até, de tão só frequentar a biblioteca, terá contribuído para uma dedicação ainda maior, expressa no desenho, na pintura, na escultura e na gravura, além da escrita sobre o tema insolúvel do que é a arte." 

Artur Santos Silva, presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República


"Abel Salazar (1889-1946), médico cientista, artista plástico, filósofo, ensaísta e professor universitário é um caso singular no panorama cultural português e uma das personalidades mais prestigiadas da I República, que não pode ser avaliado apenas sob uma perspectiva meramente disciplinar.
Abel Salazar não só aprofundou o estudo do corpo biológico, através da microscopia, como estreitou os laços com o corpo social através da prática artística, recorrendo a várias técnicas - o desenho, a pintura, a escultura -, como produziu uma significativa obra teórica, onde convergem arte, ciência e filosofia, organizando deste modo um corpo de saber deveras singular. Para pensar a sua obra no presente é importante entender a coesão interna do seu discurso e da sua prática interdisciplinar e a relação que o artista-cientista estabelece com os movimentos artísticos mais relevantes da época. Nuns casos de empatia (como é o caso do impressionismo) noutros de oposição e corte ideológico (como é o da «arte pela arte» modernista), Abel Salazar nunca se identificou completamente com nenhuma corrente artística.
A exposição 'Transparência - Abel Salazar e o seu tempo, um olhar', uma iniciativa da Comissão Nacional para a Comemoração do Centenário da República, é organizada em torno da sua obra plástica. O objectivo principal desta exposição é contribuir para uma melhor compreensão e posicionamento histórico do trabalho de Abel Salazar à luz do pensamento actual. Assim, é dada ao público, pela primeira vez, a possibilidade de confrontar um significativo número de obras suas provenientes da Casa-Museu Abel Salazar e de colecções particulares, com obras de outros artistas, alguns dos mais proeminentes da época, pertencentes às colecções do Museu Nacional de Soares dos Reis, do MNAC - Museu do Chiado, da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, da Câmara Municipal de Matosinhos e de várias colecções particulares.
A exposição é composta por dois núcleos que se articulam entre si: 'Mundo em mudança' e 'Ressonâncias íntimas'.
No núcleo 'Mundo em mudança', que abre a exposição, as paredes laterais da galeria são percorridas por uma cronologia, que cruza a história pessoal de Abel Salazar com alguns dos acontecimentos políticos, sociais e culturais mais relevantes do tempo em que viveu. No espaço da sala estão disseminados objectos e documentos vários dessa época, muitos deles pertencentes ao espólio pessoal de Abel Salazar, apresentados em vitrinas, e uma projecção vídeo com registos gráficos, fílmicos, documentais e outros relacionados com a cronologia.
O núcleo 'Ressonâncias íntimas' confronta pinturas e desenhos de Abel Salazar com obras de artistas ligados ao Naturalismo, ao Impressionismo, ao Simbolismo, ao Modernismo, ao Neo-realismo português e outros não integráveis em qualquer escola, que se organizam em três grupos temáticos: paisagens, mulheres e retratos. No total são cerca de duas centenas de obras de arte (pintura e desenho) que incluem, além das obras de Abel Salazar, algumas das obras mais significativas da arte portuguesa dos séculos XIX e XX, da autoria de Henrique Pousão, Silva Porto, António Carneiro, Columbano Bordalo Pinheiro, Amadeo de Souza Cardoso, Mário Eloy, Almada Negreiros, Vieira da Silva, Júlio Pomar, entre outros." 

  Manuel Valente Alves, comissário da exposição



 

 
Exhibition
TRANSPARENCY
-
Abel
Salazar and his time, a view



Place
National Museum
Soares dos Reis, Porto
September 30 to November 27, 2010

Curator
Manuel Valente Alves

Architecture of the exhibition
Teresa Nunes da Ponte
Lígia Ferreira
André Guerreiro

Graphic concept
Nina Szielasko

Video edition
Paulo Porfírio

Direction of production
Alexandra Araújo (Universidade do Porto)

Executive production
Alexandre Osório

Tabulation of Abel Salazar pieces
André Azevedo (Casa-Museu Abel Salazar)

Construction
José da Silva Araújo e Filhos, Lda.

Lighting engineering
Fernando Silva Gusmão
Rita Mier

Packaging and transport
Rangel Expresso SA

Insurances
Lusitânia Seguros
Reitoria da Universidade do Porto


"
Given the exceptional breadth of Abel Salazar - doctor, scientist, professor, thinker, painter, sculptor, and, above all, an exemplary citizen, miserably pursued by the New State - this exhibition crosses other goals of the CNCCR [National Committee for the Commemoration of the Centennial of the Republic]: for one hand, teaching disclosure of the great personalities of Portuguese society who professed republican ideals, on the other the appreciation of the progress made by science, especially in medical sciences, an area critical to the modernization of our country that, in the early XX, remained unprotected against the disease.
While it celebrates the dimension of Abel Salazar as extraordinary man of medical science, it is elected as the study area and consecration, the painter who, in parallel with the methodological rigor imposed by the laboratory, understood that art is other way, more uncertain and more subtle, to seek our reason of being. With art Abel Salazar practiced a kind of therapy for the soul using the emotions and a brotherly look on people and their lives. Although art has been a constant in the life of this remarkable citizen, it can be considered scandalous the fact that he was fired as a professor at the University of Porto and prevented of researching in its laboratories, and even to use its library, have contributed to an even greater dedication, expressed in drawing, painting, sculpture and engraving, and his writings on an insoluble subject: the art.

Artur Santos Silva, chairman of the National Committee for the Commemoration of the Centennial of the Republic


Abel Salazar
(1889-1946), medical scientist and artist, is a unique case in the Portuguese cultural personalities and one of the most prestigious of the First Republic, which can not be evaluated only in a disciplinary perspective.
Abel Salazar not only deepened the study of biology through microscopy, such as closer ties with society through art, using various techniques: drawing, painting, sculpture. It also produced an important theoretical work on converging art, science and philosophy, which organizes a body of knowledge. To think his work in this is important to understand not only the exemplary internal coherence of his discourse and practice, as well as the relationship established with the most important artistic movements of the time, in some cases of empathy (as is the case of Impressionism ) and cut other ideological opposition (such as that of "art for art's sake" modernist) but never complete identification.
The exhibition 'Transparency - Abel Salazar and his time, a view', an initiative of the National Committee to Commemorate the Centennial of the Republic, is organized around the plastic work of Abel Salazar. The main objective of this exhibition is to contribute to a better understanding and positioning of the historical work of Abel Salazar in the light of current thinking. Thus, it is given to the public for the first time the possibility of confronting a significant number of his works from the Abel Salazar House Museum and private collections, with works by other artists, some of the most prominent of the time, belonging to the collections of National Museum Soares dos Reis, the MNAC - Museu do Chiado, the Foundation Arpad Szenes - Vieira da Silva, Mayor of Matosinhos and several private collections.
The exhibition is divided into two parts that are interrelated with each other: 'Changing World' and 'Intimate resonances'.
At the core 'Changing World', which opens the exhibition, the side walls of the gallery are covered by a chronology, which crosses the Abel Salazar's personal history with some of the most important political, social and cultural events of his life time.
Within the room there are disseminated various objects and documents of that time, most of them belonging to the personal collection of Abel Salazar, presented in showcases, and a video projection with graphics, cinematic, documentary and other registrations related with the chronology.
The core 'Intimate resonances', there are presented paintings and drawings by Abel Salazar face to face with works of artists related to the Naturalism, to the Impressionism, to the Symbolism, to the Modernism, to Portuguese Neo-realism, and by other artists non-integrable in any school. All these works are organized into three thematic groups: landscapes, portraits and women. In total, there are exhibited about two hundred works of art (painting and drawing) which include, besides the works of Abel Salazar, some of the most significant works of Portuguese art of the nineteenth and twentieth centuries, done by artists like Henrique Pousão, Silva Porto, Antonio Carneiro, Columbano Bordalo Pinheiro, Amadeo de Souza Cardoso, Mário Eloy, Almada Negreiros, Vieira da Silva, Júlio Pomar, among others." 

Manuel Valente Alves, exhibition curator